Pegadinhas da mente
Ele finalmente conseguira fazer com que ela aceitasse seu convite para sair. Ele estava orgulhoso de si mesmo! Lá estava ele, na sua formatura, acompanhado pela mulher de seus sonhos.
Eles já haviam namorado alguns meses atrás, mas ela era extremamente ciumenta e não suportava que ele olhasse para o lado sequer. A pressão foi demais, e eles terminaram.
Aí a saudade bateu e ele passara as últimas semanas tentando fazer com que ela fosse o par dele na formatura dos dois, que estudavam juntos.
Ele ainda se lembrava bem da última briga. Em uma festa de aniversário da avó dela, um copo caíra no chão e uma prima dela se abaixou para pegar os cacos.
Ele olhou na hora errada, e a namorada estava só esperando aquele movimento sutil de seus olhos na direção da bunda da prima.
Tinha sido um daqueles reflexos naturais, ele tinha olhado completamente distraído, sem nem prestar atenção, mas quem ia conseguir convencê-la disso?
E o pior é que ela nem armou confusão. Limitou-se a ignorá-lo dali para a frente, com um olhar furioso. Até o pai dela se aproximou dele e, com a mão em seu ombro, sentenciou:
“xiii rapaz… é pena, eu até que ia com a sua cara… mas ela quando fica daquele jeito…”
Então ele iniciara uma campanha para reconquistá-la. Num dia, pediu a todos os seus amigos do Orkut que enviassem um e-mail a ela pedindo para que ela reconsiderasse e voltasse para ele. Ela recebeu 230 e-mails naquele dia com o subject “Ele te ama!”
Em outro dia, ela recebeu flores em casa e alguém encheu o seu quarto com bexigas coloridas, com frases românticas escritas. Ela também recebeu chocolates, bilhetes, cartas, vídeos no youtube.
A cartada decisiva tinha sido poucos dias atrás, quando ele foi buscá-la na escola montado em um cavalo branco! Não se falava de outra coisa. Ela finalmente cedera às suas investidas.
Ele estava ali, absorto em seus pensamentos, em transe, de boca aberta, sonhando de olhos abertos e relembrando de tudo o que passara para chegar ali, e feliz por ter valido a pena. Uma mão em seu ombro o despertou repentinamente daquele estado. Focando a visão, ele viu o que não queria ter visto. A prima dela. Na sua frente. Dançando funk. E ele tinha estado ali aquele tempo todo de boca aberta, em transe, olhando para aquela direção.
A mão era do pai dela novamente.
- É meu camarada… agora você vai precisar de um unicórnio…
Ela já não estava ali.












